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Urbanista destaca avanços de Cachoeiro no setor de saneamento
Publicado por Admin em 12/10/2008 (461 leituras)
A recuperação de um rio traz impactos consideráveis para a melhoria de qualidade de vida de uma cidade, porém, exige uma grande participação da sociedade. Longe de ser de responsabilidade única da prefeitura ou do órgão de saneamento, a "limpeza da cidade" cabe a todos nós, porém isto não pode ser cortina de fumaça para a inatividade ou procrastinação dos órgãos públicos. Cachoeiro, se conseguir completar o trabalho de saneamento da cidade, pode servir de modelo nacional do tipo "antes e depois", e o mérito caberá a todos os cachoeirenses.
[b] CN – Cachoeiro está saneando o Itapemirim e seus córrego. O que isso representa? [/b] A despoluição de um rio é fundamental para o desenvolvimento da cidade. O rio Itapemirim, por exemplo, está renegado aos fundos dos edifícios e das residências de suas margens. Isso acontece devido ao mau cheiro provocado pela quantidade de esgotos que até pouco tempo eram lançados em grande quantidade nas águas. As espécies de peixes mais sensíveis à poluição desaparecem, esportes e lazer nas águas deixam de existir. Enfim, o rio “morre” em sua função de contemplação. Com a despoluição, gradativamente a sociedade vai se reapropriando do rio, os peixes retornam, os esportes aquáticos e a navegação voltam a ter a sua vez e, conseqüentemente, as construções passarão novamente a destinar espaços de contemplação voltados para o rio. Isso tudo traz o desenvolvimento, fomenta novos espaços de lazer, mirantes, passarelas etc. Quando se trata de microbacias, o efeito é impactante na valorização dos imóveis que circundam esses pequenos córregos. À medida que os córregos que deságuam no Itapemirim forem sendo despoluídos, o mesmo efeito será sentido. Logicamente a lâmina d’água desses pequenos cursos não permitirão esportes ou navegação, porém a revitalização desses córregos por meio de paisagismo e arborização, quando possível, permitirá até, em alguns casos, a construção de parques lineares para caminhadas. Aí entra a criatividade de moradores e do poder público municipal. [b] CN – Poucas cidades têm o percentual de coleta e tratamento de esgoto que Cachoeiro conseguiu. Como isso favorece a cidade? [/b] Não existe no Brasil uma bacia hidrográfica poluída que tenha sido plenamente recuperada. Isso se deve à complexidade envolvida nesse trabalho de despoluição de bacias. São muitas as variáveis e atores sociais envolvidos. Já existem diversos municípios de nossa bacia hidrográfica que estão coletando e tratando o esgoto, e, Cachoeiro de Itapemirim, devido ao processo de privatização do SAEE, possui um contrato e uma agência reguladora encarregados de fazer cumprir o contrato de concessão. Isso coloca nosso município em certa vantagem, por ter projeto, prazo e regulação em prol desse objetivo. Dessa forma, há grandes chances, caso cada um de nós faça a sua parte, de que Cachoeiro venha a ser um referencial na questão de saneamento. Uma cidade – vitrine em saneamento, com certeza, poderá atrair investimentos da iniciativa privada e recursos do governo federal. Mas talvez o aspecto mais importante em todo esse trabalho, seja a recuperação da auto-estima urbana do cidadão cachoeirense. Foram muitos os empreendimentos, iniciativas e projetos que minguaram no município. Nossa auto-estima enquanto cidadão precisa ser recuperada. A paisagem urbana de Cachoeiro deixa muito a desejar. A recuperação do rio e de suas microbacias pode ser o “fio da meada” para iniciar todo um trabalho de recuperação nesse aspecto. Basta aliar com outros projetos de reurbanização. [b]CN – Como o modelo cachoeirense pode beneficiar outras cidades capixabas? [/b] Vejo isto como uma competição positiva, uma provocação ética. Qual o município campeão, na bacia do Itapemirim, em coleta e tratamento de esgotos?! Isso pode trazer benefícios para todos nós. A recuperação definitiva de toda a bacia é um exemplo para todos os municípios do sul do estado. Situação semelhante está acontecendo com os resíduos sólidos. Cada vez mais os lixões estão deixando de existir aqui na região, seja pela terceirização ou pela gestão pública, a opção tem sido pelos aterros sanitários que respeitem as normas ambientais. Município do sul do estado que tem lixão, acaba se tornando o patinho feio da bacia! Se pensarmos do ponto de vista do saneamento ambiental, tudo isso precisa andar junto. [b] CN – Como os cachoeirenses estão percebendo a solução do mau cheiro que exalava, continuamente, do Rio Itapemirim e dos seus córregos? [/b] Acredito que agora a coisa parece estar melhorando, mas até bem pouco tempo atrás, ouvia muita reclamação do ‘quebra-quebra’ provocado pela Citágua. Isso acontece, porque os cidadãos, em sua maioria, não estão bem esclarecidos sobre a importância do saneamento. Ter que abrir buraco agora levanta poeira mesmo, mas futuramente iremos colher os resultados no aspecto da auto-estima urbana. Fato semelhante ocorreu no município de São Paulo, quando o prefeito Gilberto Kassab criou a legislação que colocava limites para placas, faixas e outdoors do município. A polêmica, para não dizer revolta, foi geral. Atualmente a população começa a perceber o resultado desta medida “impopular” na diminuição da poluição visual, aprovando a medida do prefeito. Com o saneamento não é diferente. O que pode minimizar esse problema das comunidades com o desconforto inicial, é a educação ambiental em parceria com escolas e universidades, que a Citágua já vem desenvolvendo. Agora que os primeiros resultados começam a aparecer, as resistências tendem a diminuir. [b] Desafio e Alerta do Saneamento em Cachoeiro de Itapemirim (adendo em 18 de outrubro de 2008) [/b] Cachoeiro vive um impasse neste momento. A Citágua foi vendida para o grupo Odebrecht e tem um amplo desafio pela frente. É inegável a melhora do saneamento da cidade, mas um pente fino urgente é necessário para completar o serviço. O Projeto Córrego Limpo, do qual acompanho o andamento no Córrego Amarelo, possui dezenas de lançamentos de esgoto in natura no córrego. Isto parece ser a situação em outros córregos "já saneados". Caminhando na beira rio no final de tarde, qualquer cidadão pode sentir o mau cheiro em um ponto específico, nas proximidades do Teatro Rubem Braga. É esgoto! Desta forma, ratifico a entrevista supra citada, porém lanço um alerta: se não houver uma participação efetiva dos cidadãos e da prefeitura, isto jamais acontecerá, pois as tubulações principais já estão prontas. Algumas ligações dependem sim da Citágua, outras de moradores. Outras situações problemáticas dependem da prefeitura, outras ainda de um grande mutirão social ou mesmo de novas políticas públicas que regulamentem o lançamento de esgoto na rede ou no córrego. Urge esforço e persistência e o cenário é favorável com a nova força política local. Entrevista veiculada no informativo da Citágua – Águas de Cachoeiro. Cachoeiro de Itapemirim – ES, 2008.
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