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Desenvolvimento Sustentável e o Sul-Capixaba
Publicado por Alexandre em 15/10/2008 (440 leituras)
A preocupação com o meio ambiente parece ter tomado todas as esferas de nossa sociedade. Os noticiários têm feito o maior alarde em relação ao aquecimento global; os produtos nas prateleiras de supermercado cada vez mais ganham à roupagem “verde” e “sem conservantes”.
Enfim, parece que de fato as pessoas estão começando a prestar mais atenção nesta temática. Porém, prestar atenção, não basta. Antes de tudo, se faz necessário uma diferenciação entre a teoria e a prática do desenvolvimento sustentável e uma mudança real de postura, de hábitos. Para isso o cidadão merece saber distinguir o discurso verde das reais práticas que irão gerar impactos positivos no desenfreado rumo que o nosso planeta vem seguindo, antes de olhar para sua própria comunidade. Consciente da preocupação com o problema da sustentabilidade ambiental, as grandes indústrias tem feito o apelo ao consumidor “consciente”. Como exemplo, vale ressaltar alguns cremes dentais que possuem sua renda destinada à organizações ambientalistas. O cidadão acaba comprando o produto e se sente um “agente de mudança” em relação aos problemas ambientais. A embalagem, inclusive, é de papel reciclado. Indo além das aparências, percebemos que um dos ingredientes do creme dental, é o carbonato de cálcio, que é extraído em grande quantidade aqui no sul do estado e, não raro, gera graves impactos ao meio ambiente. O consumidor verdadeiramente consciente, antes de “acreditar” na aparência verde daquela pasta dental, sabe o que seria sustentabilidade ambiental para a indústria de creme dental, por exemplo, diminuir a abertura do tubo para que o cidadão economize sem perceber ou até mesmo mostrar como estão as jazidas onde são retiradas as matérias primas do produto e as respectivas famílias dos trabalhadores – Cachoeiro agradeceria bastante. Mas em se tratando de consumo, sabe-se que foi feito justamente o contrário, como técnica para aumentar o consumo de creme dental, a abertura do tubo foi alargada. A mídia estaria de fato a serviço do planeta, se incentivasse as pessoas a andar de ônibus ou de bicicleta, morar perto do local de trabalho, a consumir menos. Porém, associou-se desenvolvimento ao crescimento econômico, isto é quase uma lavagem cerebral de massa. As propragandas de automóveis tomam boa parte do horário nobre, como ir contra estes interesses? O país que não cresce, não gera empregos, então temos que consumir muito! Porque não levantar a bandeira do desenvolvimento ético e espiritual, ecumênico? Como alguém vai levantar a bandeira de não crescer num mundo dominando pelas grandes corporações? Aqui entra o questionamento da base do sistema capitalista de desenvolvimento. Abordar o desenvolvimento sustentável é questionar o padrão de consumo atual e, pior ainda, as bases do desenvolvimento sustentável são altamente subversivas à globalização. Já está provado que o atual nível de desenvolvimento irá inexoravelmente comprometer a vida na terra em algumas décadas. Então, o verdadeiro desenvolvimento sustentável anda um pouco na contramão da cartilha neoliberal e sua respectiva globalização do comércio. A outra face do desenvolvimento sustentável, não ganha a mídia de massa, pois a chave estaria nas comunidades: desenvolvimento social, cultural, econômico e ambiental. Não se trata de uma comunidade alternativa, fechada para o mundo. Mas de uma comunidade que produza boa parte do que consome, que tenha identificado algumas ecotécnicas , que possua um bom nível de participação nas decisões coletivas, que possua e se orgulhe de sua identidade cultural, que tenha desenvolvido o turismo sustentável e que saiba receber o turista. Uma comunidade alicerçada no Ser, e não no Ter, unida por cooperativas e associações, podendo até mesmo ter um sistema de escambo, numa amostra de interesse comum de base fraterna e altruísta. Mas talvez aqui esteja o maior entrave para o verdadeiro desenvolvimento sustentável: o envolvimento da comunidade. Uma característica marcante da política regional sul – capixaba, é a existência de políticos populistas, imediatistas, com baixo poder de planejamento a médio e longo prazos e que sabem explorar esta carência social. O estilo brizolista no Rio de Janeiro, que favoreceu a expansão das favelas, nada mais foi do que a multiplicação de votos neste estilo de se fazer política. Uma evidência desta característica, é a proliferação dos bolsões de pobreza e sua respectiva estética caótica. Desta forma, podemos observar nos municípios do sul do estado, baixíssimo nível de planejamento urbano, grandes deturpações dos planos diretores e, infelizmente, uma população acomodadíssima, até mesmo parte da elite sul-capixaba. Como pensar em desenvolvimento comunitário com tão pouco envolvimento na esfera decisória? Onde estão os orçamentos participativos? Como estão os movimentos comunitários? Aonde está alicerçada a teia de gestão sistêmica social? Quem são e aonde estão estes atores? Porém, mesmo com tudo isso, o trabalho de base para se pensar em desenvolvimento sustentável, dá os seus primeiros passos na região. Sejamos otimistas. Já existem iniciativas de programas de geração de renda nas comunidades, de incentivo ao comércio local, ao agroturismo e ao ecoturismo. Outro aspecto fundamental é o crescente número de cursos de graduação e pós-graduação na região que estão aumentando a massa crítica local. Vale ressaltar que nenhum dos políticos envolvidos em corrupção no sul do estado, se reelegeu. Isto dá esperança para a nossa comunidade. Agora, é a hora de reflorestar nossa região, recuperar nossas bacias e partir para a discussão política dos rumos do sul do estado! [b]Referências Bibliográficas[/b] DALABRIDA, Valdir Roque. O Desenvolvimento Regional: A necessidade de Novos Paradigmas. Ijuí: Ed. UNIJUI; Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2000. DIAS, G. F. Pegada ecológica e sustentabilidade humana: as dimensões humanas das alterações ambientais globais – um estudo de caso brasileiro (como o metabolismo ecossistêmico urbano contribui para as alterações ambientais globais). São Paulo: Gaia, 2002.
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